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13/06/2015 16:05

Ponto Final da Última Cena

O enigma da morte, um tema recorrente nas criações de Borelli, é tratado nessa obra a partir das questões que envolvem o Mal de Alzheimer. A doença como metáfora expressa o indivíduo encerrado em si mesmo e os conflitos íntimos que é obrigado a enfrentar.

É um trabalho artístico que propõe uma dramaturgia corporal que nos remete a um aprofundamento em questões que se reportam à alma humana. E neste caminho proposto uma porta é aberta e o que se apresenta é o encerramento do indivíduo em si mesmo tentando remediar conflitos da sua existência.

Indivíduo com apenas dois instrumentos: o corpo (espectro) e uma lembrança falível e agonizante para confrontar o homem e a morte. Morte que se apresenta como agente da solidão, de angustia e também de um bem estar, porque não? Quando é chegada a hora, ao homem não é permitido nada, nem as escoras familiares, nem as profissionais. Pai, filho, rei e déspota. Não importa, todos apenas com um corpo para não resistir ao infalível ceifar.
Dependência também é um fim, no qual o trajeto é calculado e indicado pelas mãos, pés, pelo erótico, pela morbidez. Corpo do outro procura com suas sincronias possibilidade de morte na padronização, no falso individualismo.

Ponto final da última cena é, sobretudo, uma morte pulsante e desejada no íntimo. Por paradoxal que isso possa soar. Doa a quem doer. E dói... 


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